FLOPenhagen

Quando todos os olhares do mundo se encontram centrados em Copenhaga (Dinamarca) e se começam a fazer os primeiros rescaldos dessa “messiânica” cimeira, penso ser cada vez mais importante olhar em retrospectiva para as propostas apresentadas e compreender o quão (e inevitavelmente, irão) sair goradas. Mas antes de analisar esta questão mais a fundo, julgo ser importante estabelecer um “perfil” desta cimeira e do que se pretendia mudar nela:

A cimeira de Copenhaga sucede às cimeiras de Quioto e Bali como a derradeira esperança para salvar a humanidade de vagas de calor de 50º, de ondas de 7 metros (se bem que os surfistas mais audazes iam achar piada à ideia) e os canadianos dos Ursos Polares. No entanto, os resultados práticos das anteriores cimeiras têm sido escassos. Sim, é importante realçar o facto de terem sido lançadas bases importantes para o futuro e que a vontade (embora, em alguns casos, ténue) exista de facto, no entanto não é menos importante salientar os “Nims” e as quase insignificantes efeitos práticos dessas cimeiras sobretudo por parte dos maiores emissores de C02 (Estados Unidos, China e Rússia).

Penso que é correcto da minha parte, dividir esta cimeira em duas facções: Os países desenvolvidos e os não-desenvolvidos. Os países mais desenvolvidos são ao mesmo tempo alguns dos maiores emissores de CO2 (EUA, Japão, Austrália, Rússia) e tentam nesta cimeira “jogar em dois tabuleiros” de forma a ficarem bem na fotografia, mas também para garantirem a estabilidade económica inerente à continuação das suas políticas poluidoras. Os não-desenvolvidos (geralmente países sul-americanos e africanos) tentam conseguir fundos para esbaterem os efeitos das alterações climáticas. Não digo que não exista vontade por parte dos governos de Obama, Hu Jintao e Medvedev (e estou só a falar do “pódium”, pois não me esqueci do resto da “tabela classificativa”) para combater o aquecimento global, apenas questiono a hipótese de a Shell, a BP ou a Sibneft partilharem das mesmas vontades. No meio deste embate entre os que “Querem tudo” e os que “Não querem assim tanto”, no que diz respeito às reduções de CO2, estão os países “mais neutros” (chamemos-lhes assim) que, à falta de poder de influência, se limitam a tentar agradar a “gregos e a troianos”. Mas como já é sobejamente conhecido, não podemos agradar a gregos e a troianos, se bem que os primeiros levem vantagem porque sempre se podem esconder dentro do cavalo de Tróia.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Vencedores dos Globos de Ouro

Farto de caninos grandes...

Liberdade/Igualdade